João de Ruão foi um arquiteto e
escultor renascentista, nascido na cidade francesa de Ruão, na última década do
século XV, fez a sua aprendizagem nos estaleiros de Gisors e trabalhou nas
obras da Catedral de Ruão. Chamado pelo rei D. Manuel para trabalhar em
Portugal, veio para o nosso país em 1518 e instalou-se em Coimbra, onde casou e
onde acabou por morrer em 1580.
Como escultor o seu trabalho foi
realizado até 1550, a partir daí começou a dirigir e orientar a obra da sua
oficina. Hoje em dia, para além de Coimbra, podemos apreciar o seu trabalho em
Tomar. 

Porta Especiosa (1530). Podemos encontrá-la na Sé Velha,
Coimbra. Baseado no estilo românico da antiga Sé do século XII, o escultor
«colou» este pórtico de três andares em estilo renascença. É composta por três
corpos sobrepostos: o pórtico, a varanda e o remate de figuras e nichos (se
repararem, estão lá as três ordens arquitetónicas gregas). Quatro séculos
separam estas duas obras.
Túmulo: O
trabalho mais antigo de João de Ruão, em Tomar, está na igreja de Santa Maria
do Olival. Trata-se do túmulo, com a data de 1525, onde repousam os restos
mortais de D. Diogo Pinheiro. À volta da pequena arca foi esculpida toda uma
capela.
A Capela dos Vales, já no interior da Capela de
Santa Iria. Obra de 1550, precisamente na altura em que João começou a dirigira
sua oficina em Coimbra. O tema central da Capela dos Vales representa o
Calvário, ou seja, a Crucificação e morte de Cristo. Aqui podemos encontrar a
representação rara da cruz, em T.
Autora: Salomé
Pascoal


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